Wednesday, 20 May 2015

Sobre carreira acadêmica no Turismo

Há algum tempo percebo um interesse maior de alunos na construção de uma carreira acadêmica em Turismo, pensando em desenvolver pesquisas e atuar como professores em cursos superiores.

Acho particularmente curioso o interesse, em função de alguns aspectos que, ao que tudo indica, não são considerados. Escrevi este texto para listar estes aspectos, e quem sabe contribuir à reflexão e às escolhas profissionais dos mais jovens.

- as vagas para docentes nas universidades públicas exigem titulação mínima de Doutor, ou seja, há um caminho relativamente longo a se percorrer entre a graduação e o doutorado;

- as vagas para docentes em universidades privadas exigem especialização e mestrado, e nas melhores, o doutorado, o que nos remete ao item anterior;

- as vagas existentes em escolas técnicas buscam professores com experiência na atividade em que vão ensinar, ou seja, experiência no “mercado” e não na “academia”;

- em quase todo processo seletivo para contratação de docentes, a experiência em sala de aula, por menor que ela seja, é necessária, uma vez que dominar um assunto não significa ser bom professor;

- nas primeiras oportunidades, professores são contratados por hora-aula, e em geral poucas por semana. Hoje, um iniciante que atue por 4 horas semanais recebe cerca de R$ 500,00 no mês. Isso significa sim que o salário de professor é ruim;

- a cada novo ano, com as novas tecnologias, alunos chegam com mais informação que os professores, portanto o desafio é ensinar competências e não conteúdo;

- nos últimos anos, diversos cursos superiores de Turismo encerraram suas atividades, e seus professores seguem em busca de oportunidades, portanto os processos seletivos são concorridos e a experiência é critério de classificação.

Com tudo isso, é muito importante que os interessados na carreira acadêmica procurem acumular experiências na área em que pretendem ensinar, preferencialmente nas empresas com mais opções de promoção e/ou circulação entre funções. 

Que empreendam viagens e conheçam o maior número de destinos e produtos diferentes para poder enriquecer seu próprio repertório e não agir como repetidores de teorias, muitas vezes defasadas e sem nenhuma relação com a realidade.


E finalmente, é muito bom saber que mais pessoas se encantam com a docência. É, para mim, uma das carreiras mais gratificantes, ainda que mal remuneradas e desvalorizadas.

Thursday, 30 October 2014

Das coisas estranhas

Gente muda de opinião o tempo todo.
E isso me parece bom. Ou ótimo.
E gente aprende muito com o passar do tempo.

Eis que eu, particularmente, aprendo mais, ou apreendo mais, ao ganhar distância. O distanciamento mostra coisas esquisitas e me deixa estranhamente inquieta:

- todo mundo incorpora um personagem. Mas alguns mais que outros. O difícil é quando acreditam que são o tal personagem;

- algumas pessoas usam as redes sociais como se estivessem necessariamente falando para uma audiência de fãs. De fãs! É como se houvesse o caixote do Speaker's Corner... não seria mais fácil descer do caixote e falar no mesmo nível? Tratar como iguais, como inteligentes, como não-idiotas?

- e tem quem trai. Claro que informações privilegiadas mudam a leitura, mas é tão evidente. Tão evidente... que me faz pensar não na traição, que esta certamente deve valer a pena, mas sim no medo da mudança do status quo... qual o problema em encerrar uma parceria, uma sociedade, um namoro ou um casamento? Correr risco só pelo prazer do risco? Ou não conseguir lidar com as sociais-consequencias do ato?

Enfim, enfim...

Thursday, 11 September 2014

Vergonha alheia define

Eu adoro essa expressão. Vergonha alheia.

E hoje, depois de alguma reflexão, conclui que o que eu sinto não é vergonha alheia. É desapontamento. Eu, no eterno exercício de me colocar no lugar do outro, estaria vermelha de vergonha. 

E em seguida, no também eterno exercício de filme do Indiana Jones, eu me perguntaria: "mas eu faria isso, desse jeito?". E a resposta é, invariavelmente, não.

Não faria, de novo, por tentar me colocar no lugar do outro, por reavaliar as coisas que fiz, e sempre tentar evitar o mesmo erro mais que duas vezes.

A questão é que, ocasionalmente, eu decido confiar nas pessoas e nas imagens que elas criam de si mesmas. E então, saio feliz acreditando que o que a pessoa disse, ela vai fazer... e não faz. 

Não por não querer fazer, mas por pura incompetência ou incapacidade. Nem ela sabe que não dá conta. Acha que dá, por vezes de maneira pretensiosa, mete as caras e bam! dá com a cara na parede.

Com algum distanciamento, hoje eu percebo que não foi por mal. Foi por que eu quis achar que eram pessoas melhores. Não eram. Seguem lá nos mesmos ritos diários, repetindo as mesmas frases, se contentando com o mesmo pouco e achando que melhorar é bobagem.

Mas, para nao colecionar muitos desapontamentos, acho que vou continuar no #vergonhaalheiadefine

Tuesday, 8 July 2014

Fiquei triste

Sim, sim, eu  fiquei triste com a derrota da seleção brasileira no jogo de hoje. Mas já passou. Não consigo me importar muito com futebol.  Acho mais interessante a vibração e o que se faz por este esporte, uma quase religião no Brasil.

Mas, como muita gente, pego-me já pensando nas consequências desta derrota. Serão diversas, e pessoas muito mais capazes que eu farão estes comentários. Eu penso é no Turismo. Em um dos jornais de hoje, a jornalista Elisabete Pacheco disse que “o elemento transformador de um país não é o futebol, mas sim a cultura e a educação”. Falou isso ao encerrar matéria sobre o efeito positivo do turismo na economia, especialmente nas cidades-sede.

Deixou claro que os turistas estão buscando o “que eles não tem em seus lugares de origem”, portanto lotam as favelas, os bares com rodas de samba, os espaços que os brasileiros ocupam quando se divertem.

Minha tristeza hoje, além de solidária aos milhões de brasileiros que estão realmente desapontados, é que fizemos pouco (quase nada na verdade) para que a Copa acabasse e ficasse uma sensação de que foi tudo bem, e que as pessoas que aqui estiveram vão dizer para os amigos e parentes voltarem. E mais que isso, muitos dos brasileiros vendo as imagens de lugares lindos e coisas legais por fazer pelo Brasil, resolvessem de fato incluir viagens em suas agendas.


O legado para o Turismo ainda é muito incerto. Os números são impressionantes, mas temos poucas garantias que quem veio voltará. Mas não deixarei de torcer por isso.

Sunday, 22 June 2014

Das desimportâncias desta vida

Deve haver um livro de regras que indica que devemos saber o que é importante em nossa vida. Ou quem. E vamos dedicando tempo e empenho para selecionar, priorizar, agradar (ou qualquer que seja o verbo)...

Eis que de repente é melhor olhar para as desimportâncias. 
Sequer sei se tal palavra existe, mas ela é bastante pertinente.

Etiquetei recentemente processos e pessoas como desimportantes. Ou melhor, etiquetei o meu empenho em relação a tais pessoas como desimportantes.

E não é que elas não mereçam, nada disso. Elas apenas não compreendem. Ao menos por enquanto. Falta-lhes repertório ou condição de aceitar que as coisas podem ser, e ainda bem que são, diferentes do modelo antecipado.

E assim, elas se unem a um grupo de desimportantes. Crescente, infelizmente, mas menor que o grupo das importantes...

Friday, 13 June 2014

Saudade de quem?

Não raro eu digo que senti saudade. E sinto de fato.
A questão é que a saudade que sinto dificilmente é da pessoa que é hoje. Sinto falta da pessoa (ou das pessoas) que eram, naquele tempo, ou em uma dada oportunidade.

Talvez, de fato, eu sinta saudade de um tempo em que não dispunha de tantos detalhes e informações que fazem com que o alvo da saudade não seja, de fato, a pessoa. É, portanto, uma ideia, uma construção...uma lembrança, simplesmente.


Sunday, 1 June 2014

Repetir para validar

Nem todo mundo nasceu para questionar ou para duvidar de tudo o que se apresenta pela frente. Acho que isso até é uma característica que vai sendo desestimulada na educação formal brasileira. "Não faça perguntas, apenas responda o que te perguntam".

Mas que é impressionante o número de pessoas que não só não está disposto a perguntar, como está, na mesma proporção, disposto a repetir os maiores absurdos sem a menor reflexão.

Aí um cientista mais sortudo consegue dar visibilidade a uma leitura tendenciosa que ele tem sobre alimentação, saúde ou qualidade de vida. E consegue escrever algo que acaba sendo publicado. E alguém (na verdade, vários alguéns) leem aquilo e começam a repetir como se fosse um mantra. 
E ai de você (no caso, de mim) se quiser pesquisar um pouco mais e entender que aquilo é um absurdo, como diversos outros que já circularam pelo mundo.

A opção, atualmente, além de pesquisar fontes confiáveis e oferecer a leitura delicadamente para os coleguinhas, mesmo sabendo que nada acontecerá, é lamentar e seguir em frente com outras propostas.

Uma coisa é não saber, o que sempre é possível mudar. A outra é, infelizmente, nem querer saber.

E segue o povo replicando bobagem atrás de bobagem para ver se vira verdade.