Enfim, doutora. Sim, doutora. DRA.
O título de verdade, não o que vem com a escolha profissional... aquele que só se consegue depois de, no mínimo, 23 anos nos bancos escolares...
Sem demérito a quem fez direito - ou medicina, ou odonto -, ou herda uma fazenda, e já vai sendo chamado de doutor/a por aí.
Mas conquistar o título tem outro sabor.
Na verdade, é o sabor de nem querer (e nem precisar, jamais) ser chamado de doutor ou doutora.
É perceber-se sabendo que ainda falta muito para aprender. Muito mesmo. Uma quantidade incomensurável de informações, de conhecimento, de detalhes, de segredos, de mistérios...
Eu queria conseguir dizer o que é que muda.
Mas na verdade, o título em si não muda nada. Ou melhor, muda o salário, um pouquinho. Aumenta a cobrança, sem dúvida.
Mas, para mim, particularmente, o que mudou, mudou no processo.
Mudou meu jeito de enxergar as pessoas:
- quanto mais citações de autores, menos experiência de vida;
- quanto mais extremismo, menos felicidade;
- quanto mais preconceito, menos inteligência;
- quanto mais prepotência, menos amigos;
- quanto mais encastelamento, menos respeito... muito menos.
Eu posso dizer que, se aprendi algo nesses anos, foi a reconhecer o valor das amizades. Eu não passaria pelo processo sem os meus amigos. Ou melhor, eu não resistiria ao processo se os meus verdadeiros amigos não me lembrassem, o tempo todo, que a minha competência estava no que eu fazia (e sigo fazendo) pelas pessoas que me cercam - e não pelo que as pessoas de uma dada área esperam que eu faça.
Portanto, mais uma vez, agradeço humildemente ao apoio INACREDITÁVEL e INDESCRITÍVEL dos meus amigos e amigas. Aos que acreditaram em mim, quando eu mesma já estava desistindo. Que não se deixaram convencer pela força de meus argumentos contra mim. E que foram, dia após dia, apontando quais pedrinhas poderiam ficar melhor na pavimentação da minha história.
Aos amigos-amigos, aos amigos-alunos, aos amigos-colegas, aos amigos-familiares.
Eu só sou o que sou, porque vocês estão aqui. Obrigada. MESMO.
Nem Tudo que Penso, Escrevo...
Mas há sempre algo que vale a pena compartilhar!
Friday, 30 September 2011
Saturday, 3 September 2011
Boa viagem, Sarah!
Logo nos primeiros dias do curso de Turismo na ECA/USP, em 1994, tive contato com alguns professores que foram muito importantes na minha formação. Uma delas, a Prof. Sarah Bacal, foi a responsável por me indicar para minha primeira entrevista de emprego em São Paulo, que foi bem sucedida, e portanto marcou minha entrada no mercado de trabalho, ainda caloura.
Fui aluna da Prof. Sarah por pelo menos 2 anos. Confesso que lembro-me mais do carinho que ela tinha por sua poodle do que das aulas, efetivamente.
Ela sempre me deu carona de volta, deixando-me mais próxima de casa, o que, sem dúvida, acabou se constituindo no melhor contato professor-aluno. Nesses momentos, me indicava livros, me provocava, me fazia pensar muito.
Passam-se os anos e assisto-a argumentando sobre a ousadia da tese de livre-docência do Prof. Trigo. Foi uma das falas mais audaciosas e modernas que eu já ouvi em prol da inovação em pesquisas.
Há cerca de 3 anos, estivemos juntas uma última vez, em uma comemoração onde vários outros pesquisadores estavam juntos. Sarah falou, junto do Prof. Mario Beni... foi cumprimentada e aplaudida, bem como o Prof. Beni, por terem acreditado no Turismo quando ninguém falava do tema.
Sarah Bacal nos deixou na noite de ontem. É uma notícia triste, sem dúvida.
Mas ela deixou sementes em muitos pesquisadores e certamente será lembrada com carinho e admiração.
Boa viagem, querida Sarah!
Fui aluna da Prof. Sarah por pelo menos 2 anos. Confesso que lembro-me mais do carinho que ela tinha por sua poodle do que das aulas, efetivamente.
Ela sempre me deu carona de volta, deixando-me mais próxima de casa, o que, sem dúvida, acabou se constituindo no melhor contato professor-aluno. Nesses momentos, me indicava livros, me provocava, me fazia pensar muito.
Passam-se os anos e assisto-a argumentando sobre a ousadia da tese de livre-docência do Prof. Trigo. Foi uma das falas mais audaciosas e modernas que eu já ouvi em prol da inovação em pesquisas.
Há cerca de 3 anos, estivemos juntas uma última vez, em uma comemoração onde vários outros pesquisadores estavam juntos. Sarah falou, junto do Prof. Mario Beni... foi cumprimentada e aplaudida, bem como o Prof. Beni, por terem acreditado no Turismo quando ninguém falava do tema.
Sarah Bacal nos deixou na noite de ontem. É uma notícia triste, sem dúvida.
Mas ela deixou sementes em muitos pesquisadores e certamente será lembrada com carinho e admiração.
Boa viagem, querida Sarah!
Sunday, 10 July 2011
Sobre memórias
No último post falei do final da redação da tese. Com isso, espero sinceramente ter mais tempo para vários outros aspectos da vida, e para o blog também.
Este foi o primeiro final de semana depois de vários em que sempre havia o peso das tarefas da pesquisa, da redação ou de qualquer outra coisa relacionada a trabalho. Pude estar com diversos amigos muito queridos, rindo e celebrando os acontecimentos.
E resolvi escrever sobre memórias. Na verdade, sobre as testemunhas da nossa história... nossas vitórias, conquistas, etapas vencidas e obstáculos superados só têm sentido quando temos as testemunhas. No caso, os amigos e familiares que acompanharam o que construímos. E que entendem o valor das conquistas para nós.
Mas infelizmente há pessoas que apagam pessoas, apagam fatos, apagam memórias. Esquecem ou fingem não lembrar de como se chegou até ali, de quem ajudou, de quem fez algo de bom (e até de ruim).
Eu lamento por elas. Jamais saberão o significado de amigos. Jamais saberão o que é poder construir juntos uma história...
Este foi o primeiro final de semana depois de vários em que sempre havia o peso das tarefas da pesquisa, da redação ou de qualquer outra coisa relacionada a trabalho. Pude estar com diversos amigos muito queridos, rindo e celebrando os acontecimentos.
E resolvi escrever sobre memórias. Na verdade, sobre as testemunhas da nossa história... nossas vitórias, conquistas, etapas vencidas e obstáculos superados só têm sentido quando temos as testemunhas. No caso, os amigos e familiares que acompanharam o que construímos. E que entendem o valor das conquistas para nós.
Mas infelizmente há pessoas que apagam pessoas, apagam fatos, apagam memórias. Esquecem ou fingem não lembrar de como se chegou até ali, de quem ajudou, de quem fez algo de bom (e até de ruim).
Eu lamento por elas. Jamais saberão o significado de amigos. Jamais saberão o que é poder construir juntos uma história...
Thursday, 30 June 2011
As pequenas (ou nem tão pequenas assim) vitórias
Finalmente acabei de redigir minha tese de doutorado.
E queria fazer um post em homenagem ao fato.
Porém, não sei muito o que dizer.
Sei que algumas pessoas apostavam que não ia acontecer, e se eu tivesse usado uma balança adequada, daquelas que te ajudam a ponderar todas as circunstâncias, talvez tivesse desistido.
Mas eu não desisti... porque havia razões importantes para continuar, mas principalmente por ter pessoas muito especiais ao meu lado, especialmente entre novembro de 2009 e hoje.
Essas pessoas sabem muito bem quem são, não preciso nominar. Elas vivem minha vida comigo. São meu maior presente, diariamente.
Ligam, escrevem, acenam, apoiam, mesmo em silêncio, mesmo distantes...
E só quem tem amigos, tem história.
Eu tenho história. Muita.
Um dia eu conto...
E queria fazer um post em homenagem ao fato.
Porém, não sei muito o que dizer.
Sei que algumas pessoas apostavam que não ia acontecer, e se eu tivesse usado uma balança adequada, daquelas que te ajudam a ponderar todas as circunstâncias, talvez tivesse desistido.
Mas eu não desisti... porque havia razões importantes para continuar, mas principalmente por ter pessoas muito especiais ao meu lado, especialmente entre novembro de 2009 e hoje.
Essas pessoas sabem muito bem quem são, não preciso nominar. Elas vivem minha vida comigo. São meu maior presente, diariamente.
Ligam, escrevem, acenam, apoiam, mesmo em silêncio, mesmo distantes...
E só quem tem amigos, tem história.
Eu tenho história. Muita.
Um dia eu conto...
Wednesday, 1 June 2011
Isso eu pensei, e escrevi - saudade
Uma vez fiz um discurso para uma turma que segue sendo a mais especial da minha vida... mas a concorrência tá forte, viu?
"Quando eu aceitei, com alegria imensa, ser a paraninfa de vocês, eu não fazia idéia do desafio que teria ao escolher palavras para este momento. Certamente, ao final da cerimônia, eu terei pensado em tudo o que poderia ter dito e não disse, em muitas palavras cheias de significado que ficariam registradas nas recordações desta solenidade, e que me escaparam no momento em que finalmente parei para escrever esta fala.
"Paraninfo que dizer padrinho ou protetor. O que protege, orienta. Fiquei encantada ao saber do significado da palavra, entretanto não consegui me colocar nesta figura tão séria em relação a vocês.
"Entendi que a mim foi dada a oportunidade de, uma vez mais, compartilhar com vocês algumas idéias e concepções, provavelmente muito particulares, sobre suas escolhas, e sobre o futuro que de repente chegou até vocês.
"O senso comum acredita que nossa profissão está recheada de alegria, diversão e prazer o tempo todo, e que provavelmente não há nada melhor e mais tranqüilo a se fazer. Já estamos acostumados a ouvir as brincadeiras que fazem sobre nossas escolhas.
"Porém, poucos são os que de fato compreendem a dimensão deste mundo de conhecimento e informação a que fomos apresentados, e pelos quais trilhamos viagens novas e interessantes a cada dia. Também não são muitos os que entendem a multiplicidade de opções que se descortinam para os profissionais do Turismo.
"Mas importa, a nós, sabermos que nossa escolha nos permite conhecer, compreender e mostrar aos demais o que há de melhor e mais belo neste mundo, especialmente em nosso país. Nós sabemos como a atividade turística pode e deve ser estimulada para diminuir as diferenças, gerar riquezas, preservar a natureza e valorizar a cultura. E mais que isso, nós sabemos que podemos fazê-la melhor.
"Nada disso está escrito em seu diploma. Mas eu gostaria muito que estivesse gravado no coração de vocês. Ouçam sempre seu coração, pois ele indica o melhor caminho a seguir. Outros caminhos não serão verdadeiramente seus.
"Procurem manter firme dentro de vocês a vontade, a força e a coragem de ousar, como fizeram quando escolheram Turismo. Não esperem o momento chegar, porque de verdade, ele nunca chega. Vão lá, façam seu momento.
"Sejam profissionais por inteiro, íntegros e responsáveis, competentes e criativos, dando ao mundo o que vocês têm de melhor. Confiem em vocês, porque a confiança é a mais sublime forma de motivação. Insistam sempre, e mais, naquilo que faz vocês se sentirem inteiros. O sucesso e a realização serão apenas conseqüências. A satisfação será o maior presente que vocês se darão.
"Vocês são brilhantes, e sabem disso. Do contrário, não teriam sido a minha turma mais difícil. Difícil de substituir, difícil de esquecer, difícil até de explicar.
"Sinto-me especialmente feliz por ter feito parte da vida de vocês. Mais feliz por ter sido escolhida como paraninfa, e mais feliz ainda por entender que há dez anos, quando eu escolhi o Turismo, não estava errada, e que de alguma forma, nessa minha viagem pela vida, pude encontrar pessoas que aceitaram passear de mãos dadas comigo pelas curvas deste mundo.
"Muito sucesso a todos, muito obrigada e Parabéns!
"Quando eu aceitei, com alegria imensa, ser a paraninfa de vocês, eu não fazia idéia do desafio que teria ao escolher palavras para este momento. Certamente, ao final da cerimônia, eu terei pensado em tudo o que poderia ter dito e não disse, em muitas palavras cheias de significado que ficariam registradas nas recordações desta solenidade, e que me escaparam no momento em que finalmente parei para escrever esta fala.
"Paraninfo que dizer padrinho ou protetor. O que protege, orienta. Fiquei encantada ao saber do significado da palavra, entretanto não consegui me colocar nesta figura tão séria em relação a vocês.
"Entendi que a mim foi dada a oportunidade de, uma vez mais, compartilhar com vocês algumas idéias e concepções, provavelmente muito particulares, sobre suas escolhas, e sobre o futuro que de repente chegou até vocês.
"O senso comum acredita que nossa profissão está recheada de alegria, diversão e prazer o tempo todo, e que provavelmente não há nada melhor e mais tranqüilo a se fazer. Já estamos acostumados a ouvir as brincadeiras que fazem sobre nossas escolhas.
"Porém, poucos são os que de fato compreendem a dimensão deste mundo de conhecimento e informação a que fomos apresentados, e pelos quais trilhamos viagens novas e interessantes a cada dia. Também não são muitos os que entendem a multiplicidade de opções que se descortinam para os profissionais do Turismo.
"Mas importa, a nós, sabermos que nossa escolha nos permite conhecer, compreender e mostrar aos demais o que há de melhor e mais belo neste mundo, especialmente em nosso país. Nós sabemos como a atividade turística pode e deve ser estimulada para diminuir as diferenças, gerar riquezas, preservar a natureza e valorizar a cultura. E mais que isso, nós sabemos que podemos fazê-la melhor.
"Nada disso está escrito em seu diploma. Mas eu gostaria muito que estivesse gravado no coração de vocês. Ouçam sempre seu coração, pois ele indica o melhor caminho a seguir. Outros caminhos não serão verdadeiramente seus.
"Procurem manter firme dentro de vocês a vontade, a força e a coragem de ousar, como fizeram quando escolheram Turismo. Não esperem o momento chegar, porque de verdade, ele nunca chega. Vão lá, façam seu momento.
"Sejam profissionais por inteiro, íntegros e responsáveis, competentes e criativos, dando ao mundo o que vocês têm de melhor. Confiem em vocês, porque a confiança é a mais sublime forma de motivação. Insistam sempre, e mais, naquilo que faz vocês se sentirem inteiros. O sucesso e a realização serão apenas conseqüências. A satisfação será o maior presente que vocês se darão.
"Vocês são brilhantes, e sabem disso. Do contrário, não teriam sido a minha turma mais difícil. Difícil de substituir, difícil de esquecer, difícil até de explicar.
"Sinto-me especialmente feliz por ter feito parte da vida de vocês. Mais feliz por ter sido escolhida como paraninfa, e mais feliz ainda por entender que há dez anos, quando eu escolhi o Turismo, não estava errada, e que de alguma forma, nessa minha viagem pela vida, pude encontrar pessoas que aceitaram passear de mãos dadas comigo pelas curvas deste mundo.
"Muito sucesso a todos, muito obrigada e Parabéns!
Wednesday, 25 May 2011
Bigamia
Relutei uns minutos para escrever este post, mas penso que o tema é válido.
Dizem que existe um certo corporativismo feminino, e que em geral mulheres se protegem. Mas eu confesso que não sei se isso é verdade.
Embora eu tenha oficialmente me separado em 2009, descobri que a contraparte não cumpriu minimamente seu papel, e não fez a averbação do divórcio. Portanto, continuo casada. No papel, apenas, e por pouco tempo.
Mas aí, as diversas fontes que se informam via redes sociais, comunicaram que a mesma contraparte está de casamento marcado, ou planejado, ou qualquer coisa na linha. E me perguntam - não é o caso de avisar a noiva atual?
Pensei, pensei e conclui - com a valiosa colaboração 'dazamyga" - que é melhor não avisar nada. Por que não vai adiantar, na prática. Se tivessem me avisado, lá atrás, que eu estava me aproximando de alguém com sérios problemas psico-sociais, eu talvez não acreditaria. Ou melhor, eu certamente não acreditaria, pois seria "intriga da oposição".
De qualquer forma, a gente faz o que está ao nosso alcance pelo bem da humanidade. Ou pelo menos da parte da humanidade que nos cerca.
Dizem que existe um certo corporativismo feminino, e que em geral mulheres se protegem. Mas eu confesso que não sei se isso é verdade.
Embora eu tenha oficialmente me separado em 2009, descobri que a contraparte não cumpriu minimamente seu papel, e não fez a averbação do divórcio. Portanto, continuo casada. No papel, apenas, e por pouco tempo.
Mas aí, as diversas fontes que se informam via redes sociais, comunicaram que a mesma contraparte está de casamento marcado, ou planejado, ou qualquer coisa na linha. E me perguntam - não é o caso de avisar a noiva atual?
Pensei, pensei e conclui - com a valiosa colaboração 'dazamyga" - que é melhor não avisar nada. Por que não vai adiantar, na prática. Se tivessem me avisado, lá atrás, que eu estava me aproximando de alguém com sérios problemas psico-sociais, eu talvez não acreditaria. Ou melhor, eu certamente não acreditaria, pois seria "intriga da oposição".
De qualquer forma, a gente faz o que está ao nosso alcance pelo bem da humanidade. Ou pelo menos da parte da humanidade que nos cerca.
Thursday, 12 May 2011
Manifestações feministas
Minha gente!
Eu nunca fui de subir na caixa de madeira e sair gritando, ou pegar o megafone para chamar a atenção na Praça da República, mas acontecimentos recentes deixaram-me indignada a ponto de escrever este singelo post.
Eis que a pessoa completa 35 anos e, percebendo-se com a saúde um pouco alterada, abre o guia do convênio, seleciona por critérios duvidosos os especialistas em quem vai confiar, e ruma para os consultórios. Não sei se alguém já se indignou em plena consulta, mas eu já. O caso é que eu fico quieta e resignada, pensando comigo, é assim, sempre foi e não vai mudar.
Aí os tais profissionais pedem uma lista interminável de exames considerados não invasivos. Ok. Entendi. Invasivo é se te enfiam uma agulha. Tá bom. Odeio mesmo.
Agora atentem para o não invasivo:
1) Mamografia - uma maquina acionada por pistoes de ar, provavelmente, nada sutilmente esmaga as mamas do ser humano até que elas possam ser radiografadas... ficam da espessura de um papel sulfite. Nada invasivo. A gente se sente bem... chega a ser sensual até a posição de modelo de uma estatua do Michelangelo em vias de desabar.... ou melhor, Michelangelo-Miro depois do porre.
2) Citologia - te pedem para tirar a roupa, sentar na tal da maca ginecologica, e uma figura insere (nada invasivamente) alguma coisa que vai coletar material para analise, e se houver suspeita, ainda te corta um pedacinho para biópsia. Voce la, olhando para cima e contando as lâmpadas do ambiente e a figura - "e então, com o que você trabalha"?
Sério - dá para não conversar comigo? Eu juro que não acho nada normal alguém com aparelhos dentro de mim me perguntando sobre a vida...
3) Ultrassons - terceira etapa de um dia lindo, colorido... totalmente despida e emporcalhada de gel, uma terceira figura senta ao seu lado, pega um instrumento que não tem nem comprimento nem largura que possa passar perto de algo simpático, e introduz (novamente, nada invasivo) dentro do seu utero para te olhar de dentro para fora. Depois limpa o negocinho, e comeca a pressionar o seu pescoco. Logo em seguida, resolve ir e voltar, COM FORÇA, em todas as direcoes sobre os seus seios.
Detalhes - nunca é sutil, nunca é um cara lindo, nunca é sensual. Sempre parece uma atividade de estagiária do hospital russo antes de 1990.
Ao final, sorri para voce e diz - tá tudo bem, pode ir.
Como, minha cara? Como ir para algum lugar emporcalhada de gel, pensando que esse "ta tudo bem" mascara todas as doenças do universo e me sentindo um pedaço de carne dispensada no açougue?
Passado o impacto, em conversas com amigas solidárias, conclui-se que os exames foram desenvolvidos por homens.
Deixa eu acabar o meu doutorado e eu juro que vou verificar se dá para colaborar na invenção de alguma coisa que esmague as duas coisinhas que eles tem penduradinhas lá embaixo.
Eu nunca fui de subir na caixa de madeira e sair gritando, ou pegar o megafone para chamar a atenção na Praça da República, mas acontecimentos recentes deixaram-me indignada a ponto de escrever este singelo post.
Eis que a pessoa completa 35 anos e, percebendo-se com a saúde um pouco alterada, abre o guia do convênio, seleciona por critérios duvidosos os especialistas em quem vai confiar, e ruma para os consultórios. Não sei se alguém já se indignou em plena consulta, mas eu já. O caso é que eu fico quieta e resignada, pensando comigo, é assim, sempre foi e não vai mudar.
Aí os tais profissionais pedem uma lista interminável de exames considerados não invasivos. Ok. Entendi. Invasivo é se te enfiam uma agulha. Tá bom. Odeio mesmo.
Agora atentem para o não invasivo:
1) Mamografia - uma maquina acionada por pistoes de ar, provavelmente, nada sutilmente esmaga as mamas do ser humano até que elas possam ser radiografadas... ficam da espessura de um papel sulfite. Nada invasivo. A gente se sente bem... chega a ser sensual até a posição de modelo de uma estatua do Michelangelo em vias de desabar.... ou melhor, Michelangelo-Miro depois do porre.
2) Citologia - te pedem para tirar a roupa, sentar na tal da maca ginecologica, e uma figura insere (nada invasivamente) alguma coisa que vai coletar material para analise, e se houver suspeita, ainda te corta um pedacinho para biópsia. Voce la, olhando para cima e contando as lâmpadas do ambiente e a figura - "e então, com o que você trabalha"?
Sério - dá para não conversar comigo? Eu juro que não acho nada normal alguém com aparelhos dentro de mim me perguntando sobre a vida...
3) Ultrassons - terceira etapa de um dia lindo, colorido... totalmente despida e emporcalhada de gel, uma terceira figura senta ao seu lado, pega um instrumento que não tem nem comprimento nem largura que possa passar perto de algo simpático, e introduz (novamente, nada invasivo) dentro do seu utero para te olhar de dentro para fora. Depois limpa o negocinho, e comeca a pressionar o seu pescoco. Logo em seguida, resolve ir e voltar, COM FORÇA, em todas as direcoes sobre os seus seios.
Detalhes - nunca é sutil, nunca é um cara lindo, nunca é sensual. Sempre parece uma atividade de estagiária do hospital russo antes de 1990.
Ao final, sorri para voce e diz - tá tudo bem, pode ir.
Como, minha cara? Como ir para algum lugar emporcalhada de gel, pensando que esse "ta tudo bem" mascara todas as doenças do universo e me sentindo um pedaço de carne dispensada no açougue?
Passado o impacto, em conversas com amigas solidárias, conclui-se que os exames foram desenvolvidos por homens.
Deixa eu acabar o meu doutorado e eu juro que vou verificar se dá para colaborar na invenção de alguma coisa que esmague as duas coisinhas que eles tem penduradinhas lá embaixo.
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