Nem todo mundo nasceu para questionar ou para duvidar de tudo o que se apresenta pela frente. Acho que isso até é uma característica que vai sendo desestimulada na educação formal brasileira. "Não faça perguntas, apenas responda o que te perguntam".
Mas que é impressionante o número de pessoas que não só não está disposto a perguntar, como está, na mesma proporção, disposto a repetir os maiores absurdos sem a menor reflexão.
Aí um cientista mais sortudo consegue dar visibilidade a uma leitura tendenciosa que ele tem sobre alimentação, saúde ou qualidade de vida. E consegue escrever algo que acaba sendo publicado. E alguém (na verdade, vários alguéns) leem aquilo e começam a repetir como se fosse um mantra.
E ai de você (no caso, de mim) se quiser pesquisar um pouco mais e entender que aquilo é um absurdo, como diversos outros que já circularam pelo mundo.
A opção, atualmente, além de pesquisar fontes confiáveis e oferecer a leitura delicadamente para os coleguinhas, mesmo sabendo que nada acontecerá, é lamentar e seguir em frente com outras propostas.
Uma coisa é não saber, o que sempre é possível mudar. A outra é, infelizmente, nem querer saber.
E segue o povo replicando bobagem atrás de bobagem para ver se vira verdade.
Sunday, 1 June 2014
Thursday, 29 May 2014
Aprender a perdoar
Quem me conhece, já me ouviu falando que eu não alcanço o significado da palavra perdoar.
Se é esquecer, então é esquecer, não perdoar. Se é lembrar, mas não se importar, é sinal que o fato causador da tristeza ou da mágoa ainda está lá.
Perdoar, talvez, seja um exemplo a ser seguido. Algo que a gente aprende primeiro dentro de casa. Ou na escola, ou em algum grupo a que pertencemos. Talvez perdoar seja o oposto exato de guardar mágoas. Talvez.
Mas aí há o envolvimento da memória. E eu, de novo, acho quase impossível apagar passagens fortes da memória, especialmente depois de ter aprendido que sim, a gente deve sempre pensar antes de fazer ou falar alguma coisa, especialmente se sabemos que aquilo pode (e em geral vai) magoar o outro.
Portanto, eu sinto que, em não saber o que é perdoar, eu não posso me oferecer a. Eu posso (e sempre faço) tentar compreender os motivos, e contextualizá-los. E ver se vale a pena tirar a importância ante aos outros componentes de uma relação, qualquer que ela seja.
Se é esquecer, então é esquecer, não perdoar. Se é lembrar, mas não se importar, é sinal que o fato causador da tristeza ou da mágoa ainda está lá.
Perdoar, talvez, seja um exemplo a ser seguido. Algo que a gente aprende primeiro dentro de casa. Ou na escola, ou em algum grupo a que pertencemos. Talvez perdoar seja o oposto exato de guardar mágoas. Talvez.
Mas aí há o envolvimento da memória. E eu, de novo, acho quase impossível apagar passagens fortes da memória, especialmente depois de ter aprendido que sim, a gente deve sempre pensar antes de fazer ou falar alguma coisa, especialmente se sabemos que aquilo pode (e em geral vai) magoar o outro.
Portanto, eu sinto que, em não saber o que é perdoar, eu não posso me oferecer a. Eu posso (e sempre faço) tentar compreender os motivos, e contextualizá-los. E ver se vale a pena tirar a importância ante aos outros componentes de uma relação, qualquer que ela seja.
Tuesday, 27 May 2014
Os sem amigos
Sou uma pessoa de teorias.
Melhor teorias que convicções, creio. Refutar teorias é sempre uma possibilidade; já quebrar convicções é muito mais difícil, e portanto mais dolorido.
Uma das minhas teorias, construída ao longo de muitas conversas com pessoas próximas, é de que amigos sinceros e coerentes são necessário para a manutenção de sua saúde mental.
Eles, com a devida autorização, podem te chamar para uma conversa e dizer que você pisou na bola, que errou, que deveria repensar... ou que exagerou, que está falando (e fazendo) merdas, que está passando dos limites. E a recíproca deve ser verdadeira, do contrário de nada vale a proposta. Vira palestra, vira ditado...
Pelas últimas passeadas que dei pelo facebook, tenho a impressão que minha teoria a) se confirmará logo e b) tem muita gente precisando de amigos.
Melhor teorias que convicções, creio. Refutar teorias é sempre uma possibilidade; já quebrar convicções é muito mais difícil, e portanto mais dolorido.
Uma das minhas teorias, construída ao longo de muitas conversas com pessoas próximas, é de que amigos sinceros e coerentes são necessário para a manutenção de sua saúde mental.
Eles, com a devida autorização, podem te chamar para uma conversa e dizer que você pisou na bola, que errou, que deveria repensar... ou que exagerou, que está falando (e fazendo) merdas, que está passando dos limites. E a recíproca deve ser verdadeira, do contrário de nada vale a proposta. Vira palestra, vira ditado...
Pelas últimas passeadas que dei pelo facebook, tenho a impressão que minha teoria a) se confirmará logo e b) tem muita gente precisando de amigos.
Thursday, 22 May 2014
Retomar antigos projetos
Este blog foi criado quando eu morava na Inglaterra, em 2010.
Quando eu voltei ao Brasil, terminei a pesquisa para o doutorado e deixei ele de lado.
Resolvi voltar hoje, seguindo um valioso conselho de um amigo muito querido.
Vamos ver no que dá.
Quando eu voltei ao Brasil, terminei a pesquisa para o doutorado e deixei ele de lado.
Resolvi voltar hoje, seguindo um valioso conselho de um amigo muito querido.
Vamos ver no que dá.
Friday, 30 September 2011
Doutora... doutora? Sim, doutora!
Enfim, doutora. Sim, doutora. DRA.
O título de verdade, não o que vem com a escolha profissional... aquele que só se consegue depois de, no mínimo, 23 anos nos bancos escolares...
Sem demérito a quem fez direito - ou medicina, ou odonto -, ou herda uma fazenda, e já vai sendo chamado de doutor/a por aí.
Mas conquistar o título tem outro sabor.
Na verdade, é o sabor de nem querer (e nem precisar, jamais) ser chamado de doutor ou doutora.
É perceber-se sabendo que ainda falta muito para aprender. Muito mesmo. Uma quantidade incomensurável de informações, de conhecimento, de detalhes, de segredos, de mistérios...
Eu queria conseguir dizer o que é que muda.
Mas na verdade, o título em si não muda nada. Ou melhor, muda o salário, um pouquinho. Aumenta a cobrança, sem dúvida.
Mas, para mim, particularmente, o que mudou, mudou no processo.
Mudou meu jeito de enxergar as pessoas:
- quanto mais citações de autores, menos experiência de vida;
- quanto mais extremismo, menos felicidade;
- quanto mais preconceito, menos inteligência;
- quanto mais prepotência, menos amigos;
- quanto mais encastelamento, menos respeito... muito menos.
Eu posso dizer que, se aprendi algo nesses anos, foi a reconhecer o valor das amizades. Eu não passaria pelo processo sem os meus amigos. Ou melhor, eu não resistiria ao processo se os meus verdadeiros amigos não me lembrassem, o tempo todo, que a minha competência estava no que eu fazia (e sigo fazendo) pelas pessoas que me cercam - e não pelo que as pessoas de uma dada área esperam que eu faça.
Portanto, mais uma vez, agradeço humildemente ao apoio INACREDITÁVEL e INDESCRITÍVEL dos meus amigos e amigas. Aos que acreditaram em mim, quando eu mesma já estava desistindo. Que não se deixaram convencer pela força de meus argumentos contra mim. E que foram, dia após dia, apontando quais pedrinhas poderiam ficar melhor na pavimentação da minha história.
Aos amigos-amigos, aos amigos-alunos, aos amigos-colegas, aos amigos-familiares.
Eu só sou o que sou, porque vocês estão aqui. Obrigada. MESMO.
O título de verdade, não o que vem com a escolha profissional... aquele que só se consegue depois de, no mínimo, 23 anos nos bancos escolares...
Sem demérito a quem fez direito - ou medicina, ou odonto -, ou herda uma fazenda, e já vai sendo chamado de doutor/a por aí.
Mas conquistar o título tem outro sabor.
Na verdade, é o sabor de nem querer (e nem precisar, jamais) ser chamado de doutor ou doutora.
É perceber-se sabendo que ainda falta muito para aprender. Muito mesmo. Uma quantidade incomensurável de informações, de conhecimento, de detalhes, de segredos, de mistérios...
Eu queria conseguir dizer o que é que muda.
Mas na verdade, o título em si não muda nada. Ou melhor, muda o salário, um pouquinho. Aumenta a cobrança, sem dúvida.
Mas, para mim, particularmente, o que mudou, mudou no processo.
Mudou meu jeito de enxergar as pessoas:
- quanto mais citações de autores, menos experiência de vida;
- quanto mais extremismo, menos felicidade;
- quanto mais preconceito, menos inteligência;
- quanto mais prepotência, menos amigos;
- quanto mais encastelamento, menos respeito... muito menos.
Eu posso dizer que, se aprendi algo nesses anos, foi a reconhecer o valor das amizades. Eu não passaria pelo processo sem os meus amigos. Ou melhor, eu não resistiria ao processo se os meus verdadeiros amigos não me lembrassem, o tempo todo, que a minha competência estava no que eu fazia (e sigo fazendo) pelas pessoas que me cercam - e não pelo que as pessoas de uma dada área esperam que eu faça.
Portanto, mais uma vez, agradeço humildemente ao apoio INACREDITÁVEL e INDESCRITÍVEL dos meus amigos e amigas. Aos que acreditaram em mim, quando eu mesma já estava desistindo. Que não se deixaram convencer pela força de meus argumentos contra mim. E que foram, dia após dia, apontando quais pedrinhas poderiam ficar melhor na pavimentação da minha história.
Aos amigos-amigos, aos amigos-alunos, aos amigos-colegas, aos amigos-familiares.
Eu só sou o que sou, porque vocês estão aqui. Obrigada. MESMO.
Saturday, 3 September 2011
Boa viagem, Sarah!
Logo nos primeiros dias do curso de Turismo na ECA/USP, em 1994, tive contato com alguns professores que foram muito importantes na minha formação. Uma delas, a Prof. Sarah Bacal, foi a responsável por me indicar para minha primeira entrevista de emprego em São Paulo, que foi bem sucedida, e portanto marcou minha entrada no mercado de trabalho, ainda caloura.
Fui aluna da Prof. Sarah por pelo menos 2 anos. Confesso que lembro-me mais do carinho que ela tinha por sua poodle do que das aulas, efetivamente.
Ela sempre me deu carona de volta, deixando-me mais próxima de casa, o que, sem dúvida, acabou se constituindo no melhor contato professor-aluno. Nesses momentos, me indicava livros, me provocava, me fazia pensar muito.
Passam-se os anos e assisto-a argumentando sobre a ousadia da tese de livre-docência do Prof. Trigo. Foi uma das falas mais audaciosas e modernas que eu já ouvi em prol da inovação em pesquisas.
Há cerca de 3 anos, estivemos juntas uma última vez, em uma comemoração onde vários outros pesquisadores estavam juntos. Sarah falou, junto do Prof. Mario Beni... foi cumprimentada e aplaudida, bem como o Prof. Beni, por terem acreditado no Turismo quando ninguém falava do tema.
Sarah Bacal nos deixou na noite de ontem. É uma notícia triste, sem dúvida.
Mas ela deixou sementes em muitos pesquisadores e certamente será lembrada com carinho e admiração.
Boa viagem, querida Sarah!
Fui aluna da Prof. Sarah por pelo menos 2 anos. Confesso que lembro-me mais do carinho que ela tinha por sua poodle do que das aulas, efetivamente.
Ela sempre me deu carona de volta, deixando-me mais próxima de casa, o que, sem dúvida, acabou se constituindo no melhor contato professor-aluno. Nesses momentos, me indicava livros, me provocava, me fazia pensar muito.
Passam-se os anos e assisto-a argumentando sobre a ousadia da tese de livre-docência do Prof. Trigo. Foi uma das falas mais audaciosas e modernas que eu já ouvi em prol da inovação em pesquisas.
Há cerca de 3 anos, estivemos juntas uma última vez, em uma comemoração onde vários outros pesquisadores estavam juntos. Sarah falou, junto do Prof. Mario Beni... foi cumprimentada e aplaudida, bem como o Prof. Beni, por terem acreditado no Turismo quando ninguém falava do tema.
Sarah Bacal nos deixou na noite de ontem. É uma notícia triste, sem dúvida.
Mas ela deixou sementes em muitos pesquisadores e certamente será lembrada com carinho e admiração.
Boa viagem, querida Sarah!
Sunday, 10 July 2011
Sobre memórias
No último post falei do final da redação da tese. Com isso, espero sinceramente ter mais tempo para vários outros aspectos da vida, e para o blog também.
Este foi o primeiro final de semana depois de vários em que sempre havia o peso das tarefas da pesquisa, da redação ou de qualquer outra coisa relacionada a trabalho. Pude estar com diversos amigos muito queridos, rindo e celebrando os acontecimentos.
E resolvi escrever sobre memórias. Na verdade, sobre as testemunhas da nossa história... nossas vitórias, conquistas, etapas vencidas e obstáculos superados só têm sentido quando temos as testemunhas. No caso, os amigos e familiares que acompanharam o que construímos. E que entendem o valor das conquistas para nós.
Mas infelizmente há pessoas que apagam pessoas, apagam fatos, apagam memórias. Esquecem ou fingem não lembrar de como se chegou até ali, de quem ajudou, de quem fez algo de bom (e até de ruim).
Eu lamento por elas. Jamais saberão o significado de amigos. Jamais saberão o que é poder construir juntos uma história...
Este foi o primeiro final de semana depois de vários em que sempre havia o peso das tarefas da pesquisa, da redação ou de qualquer outra coisa relacionada a trabalho. Pude estar com diversos amigos muito queridos, rindo e celebrando os acontecimentos.
E resolvi escrever sobre memórias. Na verdade, sobre as testemunhas da nossa história... nossas vitórias, conquistas, etapas vencidas e obstáculos superados só têm sentido quando temos as testemunhas. No caso, os amigos e familiares que acompanharam o que construímos. E que entendem o valor das conquistas para nós.
Mas infelizmente há pessoas que apagam pessoas, apagam fatos, apagam memórias. Esquecem ou fingem não lembrar de como se chegou até ali, de quem ajudou, de quem fez algo de bom (e até de ruim).
Eu lamento por elas. Jamais saberão o significado de amigos. Jamais saberão o que é poder construir juntos uma história...
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